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por Cris Barroca

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INGLATERRA | um dia em Bath pelas termas romanas e arquitetura georgiana

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INGLATERRA | um dia em Bath pelas termas romanas e arquitetura georgiana

Essa cidade me surpreendeu de um jeito que eu realmente não esperava. Eu já sabia que Bath era um lugar histórico e muito comentado por turistas, mas descobri que ela consegue ser muito mais bonita e interessante do que eu imaginava. Cada rua, cada prédio parece ter saído de um filme. É clichê, mas é verdade.

E nada superou a nossa visita às Termas Romanas. Eu pensei que era mais um amontoado de pedras com uma história antiga e uma piscina instagramável. Na minha cabeça, esperava só mais uma ruína no Reino Unido. Ah, e é isso mesmo, gente: não estamos na Itália. Estamos na Inglaterra. O que eu encontrei aqui vocês não vão acreditar.

O lugar é absurdamente preservado e belíssimo. A experiência é envolvente, a estrutura do museu é impecável, há placas explicativas por todos os lados, audioguia incluído no valor do ingresso em várias línguas (inclusive português) e projeções que recriam o dia a dia dos romanos por ali. Até as crianças ficaram envolvidas. Eu fiquei completamente encantada. E para completar, a lojinha do museu é incrível. Sério, eu tive que me controlar para não sair de lá levando metade da loja.

Então vem com a gente conferir tudo isso, porque o dia em Bath, ainda aqui com muita chuva, foi uma das experiências mais especiais dessa viagem.

RESUMO DO ROTEIRO DE UM DIA EM BATH

📍 Termas Romanas de Bath
📍 Jane Austen Centre
📍 Bath Abbey
📍 Pulteney Bridge e Pulteney Weir
📍 Parade Gardens
📍 Lojinha cenário de Bridgerton
📍 The Circus
📍 Royal Crescent

CONTEXTO: ARQUITETURA GEORGIANA EM BATH 🏛️

Antes de começar, preciso situar vocês a respeito da arquitetura georgiana, em que Bath é uma das maiores referências nesse estilo. O centro histórico foi todo reconstruído seguindo essa linha que compreende simetria, equilíbrio e elegância. Você pode notar os prédios de fachadas limpas, janelas alinhadas e uso de uma pedra clara. Esse estilo surgiu durante o reinado dos quatro reis George, e é por isso o nome.

Bath fica no sudoeste da Inglaterra, a cerca de 1 hora e meia de trem de Londres, e é totalmente possível fazer um bate-volta. Se você não tem condição de ficar mais tempo e fazer um passeio por conta própria (que é o que eu sempre recomendo por aqui), o plano B seria um tour pelo link que eu deixo na descrição do vídeo.

Ela é uma das cidades mais importantes do país em patrimônio histórico. Foi fundada pelos romanos há quase 2000 anos por causa das águas termais naturais encontradas aqui e, mais tarde, virou um dos grandes símbolos da arquitetura georgiana. É daquelas cidades que você chega e já entende porque todo mundo fala tão bem. Ela é elegante, histórica e super fácil de explorar a pé.

DICAS IMPERDÍVEIS:

✅ Estacionamos o carro no Charlotte Street Car Park.
✅ Prefira explorar a pé se tiver tempo: a cidade convida a isso.
✅ Dá para ir e voltar de Londres no mesmo dia, se for só um bate-volta.

TERMAS ROMANAS DE BATH ♨️

Vamos começar nosso tour pelas Termas Romanas de Bath, que é o maior atrativo que você vai encontrar por aqui. Para começar, o ingresso custa cerca de £22,50 para adultos durante a semana e £25,50 aos finais de semana e feriados. Criança de 6 a 18 anos tem £7 de desconto e menores de 6 anos não pagam. Há outros pacotes e outras condições de valores disponíveis no site oficial linkado na descrição do vídeo. Nesse valor já está incluído o audioguia disponível em 13 idiomas, inclusive o português. Eu recomendo.

As termas têm uma história que começa muito antes dos romanos. A nascente de água quente que existe aqui há milhares de anos já era considerada sagrada pelos celtas que viviam aqui. Eles acreditavam que aquela água tinha poder de cura e era protegida pela deusa Sulis. No século I depois de Cristo, quando os romanos chegaram à Britânia, eles encontraram aquela água borbulhando a mais de 40ºC e construíram um enorme complexo termal em volta dela. No ano 70 depois de Cristo começou a construção das termas e do templo, transformando o local num dos maiores centros termais romanos fora da Itália.

Durante a invasão, os romanos não tentaram expulsar a civilização local. Ao contrário, buscavam um sincretismo. Para mostrar respeito, uniram a deusa Sulis dos celtas com a deusa da sabedoria romana, Minerva, criando Sulis Minerva, figura central venerada nesse novo templo. A cidade ao redor foi batizada pelos romanos de Aquae Sulis, mais uma vez integrando as duas culturas.

Nos primeiros séculos, as termas viveram seu auge. No século I, o local já era um centro sofisticado com piscinas, salas quentes, frias, vapor, um verdadeiro spa, e também um ponto de encontro religioso, medicinal e social. Sim, tinha gente que vinha com propósito de flertar e paquerar. Inclusive, nessa época, o imperador Adriano chegou a proibir os banhos mistos nas termas. Ninguém sabe exatamente o motivo, mas acredita-se que foi para manter a ordem social. Os banhos eram nus.

O que mais me marcou dentro do complexo:

  • Nascente natural com água que chega a cerca de 46ºC, única do Reino Unido
  • Tábuas de maldição: mais de 130 já foram achadas, com pedidos dramáticos de vingança à deusa
  • Moedas e oferendas lançadas na nascente ao longo de séculos
  • Sistema de escoamento romano que funciona até hoje, depois de mais de 2000 anos
  • Projeções e réplicas táteis que ajudam a visualizar como era a arquitetura e a vida dos romanos
  • Fonte para provar a água (filtrada e tratada, diferente da piscina verde das termas)

A água que jorra nas termas sempre foi um mistério fascinante. Tudo é natural: a chuva que cai nas colinas ao redor de Bath infiltra no solo e viaja por fissuras que chegam a quase 3 km de profundidade. Lá embaixo, a temperatura da Terra é muito mais quente, então essa água é aquecida a quase 90º. Depois, sob pressão, ela sobe de volta e brota na nascente, já misturada com minerais das rochas.

Uma das partes mais fascinantes são as tábuas de maldição encontradas no fundo do complexo. Eram pequenas placas de um metal fino, quase como uma folha de ofício, onde as pessoas escreviam desejos, geralmente bem irritados, pedindo para a deusa Sulis Minerva punir alguém que tivesse cometido alguma injustiça. Eu encontrei uma no museu que dizia: "A pessoa que levou minha panela de bronze será totalmente amaldiçoada e quem fez que derrame seu próprio sangue na própria panela". Outra bastante curiosa fala sobre Vilbia, que até hoje ninguém sabe se é de fato uma pessoa, com uma lista de prováveis culpados e um pedido de punição.

Quando os romanos foram embora, no século V, o complexo foi abandonado e acabou soterrado com o passar dos séculos. Durante a Idade Média, casas, ruas e prédios foram erguidos bem em cima das ruínas, sem que ninguém soubesse que um gigantesco complexo romano estava debaixo deles. Só no século XVI, durante reformas e obras, começaram a perceber paredes romanas, piscinas, canais e objetos enterrados ali, e começaram a escavar até revelar essa preciosidade que podemos visitar hoje.

O sistema de escoamento impressiona: são mais de 1 milhão de litros por dia. Os romanos criaram canais e tubos de pedra e chumbo que direcionam a água para as piscinas, banhos e áreas de culto, e depois a escoam de forma segura. Mesmo depois de séculos de abandono, quando o local foi escavado, os arqueólogos perceberam que esse sistema ainda estava em grande parte preservado e em funcionamento.

A cor verde intensa da água intriga os visitantes, mas a verdade é que a nascente rica em minerais bate luz solar e cria o ambiente perfeito para o crescimento de algas. Apenas algas. Apesar de ser uma nascente natural, a água daqui não é própria para banho há muitas décadas. O uso público foi interrompido definitivamente em 1978, depois que uma jovem contraiu uma infecção grave causada por organismos que podem crescer em águas quentes e paradas. Você não pode banhar, mas pode beber a água (filtrada e tratada, da mesma nascente, com mais de 40 minerais dissolvidos).

Fui provar com a Malu e minha mãe. Ela é quente, quentinha, mas eu não senti cheiro de nada. Alguns falaram gosto de barro ou argila; eu senti um gostinho de argila, suave, mas não é uma água para ficar bebendo. Jogasse um chazinho ali, tá bom. É só um pouquinho no copinho cônico de papel, viu, gente? Não é para encher.

💡 Ingresso na nossa visita: £22,50 (adulto, semana) | £25,50 (finais de semana e feriados) | £7 de desconto (6 a 18 anos) | Grátis (menores de 6)

DICAS IMPERDÍVEIS:

✅ Use o audioguia em português: ajuda a entender cada detalhe do complexo.
✅ Reserve tempo para as projeções e as réplicas que você pode tocar.
✅ Prove a água da fonte, mas só um gole: o gosto é peculiar.
✅ A lojinha do museu é tentadora. Eu quase saí levando metade da loja.

JANE AUSTEN CENTRE 📚

Como vocês podem ver aqui em Bath, tem esse centro dedicado a Jane Austen, que é um pequeno museu sobre a autora que viveu por aqui entre 1801 e 1806. A cidade teria influenciado as obras Northanger Abbey e Persuasion. Para os fãs da autora, essa cidade é um marco na vida dela, e você encontra até um tour guiado com referências a Jane Austen pela cidade.

BATH ABBEY ⛪

Nesse local onde hoje está a Bath Abbey, antes existiu um mosteiro anglo-saxão, depois uma catedral normanda, antes de ser a atual igreja em estilo gótico perpendicular que conhecemos, datada do século XV. Ela é um dos cartões postais da cidade. Um dos detalhes mais curiosos da fachada são os anjos subindo e descendo duas escadas esculpidas nas torres ao lado da porta principal.

Infelizmente não foi possível visitá-la. Estávamos por aqui no feriado do dia 1º de janeiro, então a abadia estava fechada. Tivemos que curtir sua belíssima arquitetura apenas do lado de fora mesmo. Tá chovendo.

DICAS IMPERDÍVEIS:

✅ Confira o calendário antes de ir: feriados podem fechar a abadia.
✅ Mesmo fechada, a fachada já vale a parada para fotos.

PULTENEY BRIDGE E PULTENEY WEIR 🌉

O rio Avon atravessa o centro de Bath e cria um dos cenários mais fotogênicos da cidade, especialmente no trecho onde foi construída a icônica Pulteney Bridge, uma ponte georgiana do século XVIII, famosa por ter lojas dos dois lados, semelhante à Ponte Vecchio em Florença, na Itália, mas com o estilo arquitetônico próprio desse reino aqui.

Logo abaixo dela está a Pulteney Weir, uma represa, uma espécie de cascata em formato de meia lua que foi originalmente projetada no século XVII para controlar o fluxo do rio e evitar enchentes. Juntas, essas duas obras formam uma paisagem hipnotizante.

PARADE GARDENS 🌿

Se você desce na Parade Gardens, um dos jardins mais charmosos e bem localizados de Bath, encontra um cenário perfeito para as fotos. Na primavera e verão também é um local apropriado para piqueniques.

Só tenha cuidado, por favor, ao tentar levantar drones por aqui em meio a multidões. Eu quase fui atropelada por um. Um casal tentava levantar um drone e ele passou raspando no meu cabelo. Eu senti o vento na orelha. Levei tanto susto que parei de filmar na hora.

DICAS IMPERDÍVEIS:

✅ Parade Gardens é um dos melhores pontos para fotografar a ponte e a represa.
✅ Evite drones em áreas cheias: além de perigoso, incomoda quem está passeando.

LOJINHA CENÁRIO DE BRIDGERTON 🎬

A gente foi na lojinha que foi cenário de Bridgerton. Ela fica à frente da casa daquela costureira da série. Lindinha demais. A cidade fica linda iluminada, e por aqui também tem carrossel. A Malu escolheu a galinha e deu o nome de Frederico.

THE CIRCUS E ROYAL CRESCENT 🏘️

Aqui você encontra dois dos conjuntos arquitetônicos mais famosos da Inglaterra: The Circus e o Royal Crescent, ambos símbolos perfeitos da arquitetura georgiana do século XVIII. Eles foram projetados pela mesma família de arquitetos, John Wood Pai e John Wood Filho.

The Circus é um círculo completo formado por três blocos de casas com fachadas clássicas em estilo dórico, jônico e coríntio, inspirado tanto nos coliseus romanos quanto em antigas tradições celtas. Já o Royal Crescent é um majestoso semicírculo de 30 casas com uma fachada contínua voltada para um grande gramado aberto.

Como no inverno escurece mais cedo, quando chegamos aqui já estava bastante escuro e não conseguimos ver essas obras claramente. Tentei fazer um vídeo do Royal Crescent do parque, mas estava praticamente impossível ver de tão distante. Fica a dica para vocês e para a gente também: fica para a próxima.

DICAS IMPERDÍVEIS:

✅ Vá com luz do dia se quiser fotografar The Circus e o Royal Crescent com clareza.
✅ No inverno, o dia escurece cedo: programe esses pontos mais cedo no roteiro.

DICAS FINAIS DO BLOG ALECRIM

✅ Bath combina história romana, arquitetura georgiana e cenários de novela.
✅ As Termas Romanas são o coração do passeio: reserve tempo de verdade para o museu.
✅ Dá para fazer bate-volta saindo de Londres, mas a cidade merece uma visita com calma.
✅ Leve casaco e prepare-se para chuva: nosso dia foi chuvoso e mesmo assim foi especial.

CONFIRA EM NOSSO CANAL NO YOUTUBE COMO FOI NOSSO DIA EM BATH

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