VENEZA DIA 2 | Vale a pena andar de Gôndola?

O segundo dia em Veneza foi daqueles em que a gente mistura história, fila, comida e uma experiência que eu preferia não ter vivido. Andamos pela Ponte Rialto, nos perdemos (com GPS na mão, igual a quase todo mundo), conhecemos a Basílica de San Marco e atravessamos a Ponte dos Suspiros. Também experimentamos cicchetti, almoçamos num restaurante ligado a um livro que eu amo e fechamos a noite numa osteria às margens do canal.
Se você está montando seu próprio roteiro, vem com a gente. Eu conto o que valeu, o que não valeu e os detalhes que o vídeo não deixa escapar.
RESUMO DO ROTEIRO DO SEGUNDO DIA EM VENEZA
📍 Ponte Rialto
📍 Piazza San Giacomo di Rialto e o Gobo di Rialto
📍 Cicchetti perto do Rialto
📍 Basílica de San Marco
📍 Piazza San Marco
📍 Ponte dos Suspiros
📍 Passeio de gôndola
📍 Fondaco dei Tedeschi
📍 Vinovino
📍 Ostaria Fanal del Códega

COMO VENEZA FOI CONSTRUÍDA?
Quando você vê monumetos como a Ponte Rialto, as grandiosas construções na Piazza San Marco tem um detalhe que pouca gente percebe: para sustentar tudo isso foram cravadas milhares de estacas de madeira no fundo da lagoa. Como ficam completamente submersas e quase sem contato com oxigênio, a madeira não apodrece e segue servindo de fundação. Toda Veneza está ancorada assim.

Antes de Veneza existir, aqui não havia uma cidade. Existiam pequenas ilhas de areia e lama espalhadas por uma lagoa ligada ao Mar Adriático. A partir do século V, pessoas que fugiam das invasões no norte da Itália começaram a se refugiar nessas ilhas. Como o solo era instável, cravaram milhares de estacas na lama, construíram uma base de pedra e, aos poucos, ergueram casas, igrejas e palácios.

E foi assim que nasceu uma das cidades mais extraordinárias do mundo. E esse é mais um exemplo da incrível engenharia que permitiu que Veneza sobrevivesse por tantos séculos.
PONTE RIALTO
A Ponte Rialto pode parecer só uma ponte bonita, mas durante séculos ela foi o principal ponto de ligação entre as duas margens do Grande Canal, na época em que Veneza era uma das cidades mais ricas e poderosas do mundo e praticamente todo tipo de comércio passava por ali.
Essa vocação comercial continua viva. Há várias lojinhas construídas sobre a ponte e, desde a inauguração, elas fazem parte do projeto: transformar o lugar em um verdadeiro centro comercial. Hoje você encontra principalmente joias, lembrancinhas, máscaras venezianas e peças de vidro de Murano.
A ponte como a vemos hoje foi inaugurada em 1591, no mesmo lugar onde já existiam outras travessias. O mais impressionante é pensar que essa estrutura de pedra atravessou mais de quatro séculos de enchentes e milhões de visitantes e continua firme.
Mais tarde no dia, ao atravessar a ponte pela enésima vez, eu ainda contei que a Rialto atual foi projetada por Antonio da Ponte (sim, esse é o sobrenome dele) depois de um concurso em que vários arquitetos e artistas participaram. Quem participou e perdeu foi Michelangelo. Antes da ponte de pedra, havia uma de madeira, que caiu duas vezes: uma por incêndio e outra pela estrutura abalada.
A ponte ainda aparece no Mercador de Veneza, de Shakespeare. E, de cima, é um ótimo lugar para olhar o Grande Canal e entender a água como a principal avenida da cidade.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Pare no meio da ponte e olhe o Grande Canal com calma.
✅ Entre nas lojinhas se quiser máscaras, vidro de Murano ou lembrancinhas, mas prepare o bolso.
✅ Lembre que Veneza inteira está sobre estacas de madeira. Isso muda o jeito de olhar a cidade.
PIAZZA SAN GIACOMO DI RIALTO E O GOBO DI RIALTO
Bem perto da Ponte Rialto fica a Piazza San Giacomo di Rialto, antigo centro comercial da cidade. Mercadores de diferentes partes do mundo se reuniam ali para negociar, trocar moedas e fechar negócios que ajudaram a transformar Veneza numa potência.
O destaque discreto do lugar é o Gobo di Rialto, uma mini estátua que servia como púlpito. Gobo significa corcunda e o nome faz referência à posição do homem que sustenta a plataforma de pedra nas costas. A escultura data de 1541.
Na República de Veneza, era dali que as autoridades anunciavam leis e comunicados oficiais. E tem uma história dura: alguns condenados por pequenos crimes, depois de punições em outros pontos da cidade, eram obrigados a percorrer um trajeto público (às vezes pelados) até chegar ao Gobo e beijá-lo, para terminar a humilhação diante da população.
É um lugar que passa despercebido por muitos turistas, mas guarda um pedaço importante da história de Veneza.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Depois de atravessar a Rialto, procure o Gobo. Ele fica fácil de perder no meio da agitação.
✅ Vale parar dois minutos só para imaginar os anúncios públicos e o movimento mercante da República.
CICHETTI PERTO DO RIALTO 🍽️
Seguimos mais para dentro do bairro, atrás da Piazza San Giacomo di Rialto, até um local tradicional de cicchetti, aqueles petiscos servidos em geral numa fatia de pão.
A indicação vinha do Phil Rosenthal, do Somebody Feed Phil, no episódio de Veneza. Infelizmente o lugar indicado (o Alarco) já estava fechado. Do lado havia um bar com a mesma proposta e decidimos experimentar ali mesmo.
Vou ser sincera: eu não sei se foi o lugar ou as nossas escolhas, mas não recomendo. Um dos petiscos, apesar de parecer pão, tinha uma fatia de peixe por baixo. Tem croquete de carne com queijo pecorino, bacalhau e outras opções. A conta foi subindo ali no balcão e a experiência, no geral, não valeu.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se for atrás de uma indicação de série ou guia, confirme o horário. O nosso lugar sonhado estava fechado.
✅ Cicchetti parece barato no olho, mas a conta pode crescer rápido.
✅ Se a primeira impressão for estranha, pode trocar de bar. Em Veneza não falta opção.
BASÍLICA DE SAN MARCO ⛪
Chegamos à Piazza San Marco depois de visitar a Basílica. Tentamos reservar online e estava esgotado. Na época da nossa visita, a reserva online custava €6 e dava acesso a uma fila específica de quem já tinha ticket. Quem chegava sem reserva entrava em outra fila.
No site estava escrito que a entrada na hora seria gratuita, mas na prática não era mais. Pagamos €3 para entrar. A fila estava muito pequena: não ficamos nem cinco minutos. E valeu a pena. A basílica é belíssima.
A Basílica de São Marcos é muito mais do que a principal igreja de Veneza. Durante quase mil anos, ela foi a capela particular dos doges, os governantes da antiga República, e um símbolo do poder e da riqueza da cidade.
A primeira igreja foi construída por volta de 830 para receber os restos mortais de São Marcos Evangelista. Depois de um incêndio, a basílica foi reconstruída por volta de 1063, dando origem ao monumento que vemos hoje. Ao longo dos séculos, cada doge deixou sua marca com capelas, mosaicos, altares e obras de arte. Grande parte dos tesouros trazidos de Constantinopla após a Quarta Cruzada também passou a decorar a igreja.
Uma das histórias mais curiosas começa em 828, quando dois mercadores venezianos foram a Alexandria, no Egito, buscar os restos mortais de São Marcos. Diz a lenda que, como o Egito era muçulmano, eles esconderam o corpo do santo sob uma carga de carne de porco. Os fiscais recusaram tocar na carga por considerá-la impura, e as relíquias passaram sem inspeção.
Veneza queria se afirmar como ponte entre Oriente e Ocidente. Por isso a basílica foi inspirada nas igrejas do Império Bizantino e recebeu mármores, colunas e obras vindas do Oriente.
E os cavalos da fachada? São réplicas. Os originais estão no Museu da Basílica. Foram trazidos de Constantinopla e ornamentavam a fachada até 1797, quando Napoleão conquistou Veneza e os levou para Paris. Só voltaram em 1815, depois da derrota de Napoleão.
Como funcionam os tickets (na nossa visita / 2026 no vídeo):
- Só a igreja (online): €10. Não inclui altar de ouro, museu, campanile nem os cavalos originais.
- Museu da Basílica: mais €14, com entrada independente. É onde estão os cavalos originais.
- Basílica + Pala d'Oro (altar de ouro): €20.
- Campanile: torre no meio da praça (mostramos a visita completa em outro vídeo).
- Entrada na hora, sem reserva online: na nossa visita, €3, com fila curta.
Se ainda estiver confuso com os pacotes, no vídeo eu deixo na descrição o link de parceiros (pacotes e visitas guiadas) e o link do site oficial.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se a reserva online estiver esgotada, olhe a fila da hora. Às vezes ela anda muito rápido.
✅ Confira no momento o que cada ticket inclui. Igreja, museu, Pala d'Oro e campanile são coisas diferentes.
✅ Os cavalos da fachada são réplicas. Os originais ficam no museu.
PIAZZA SAN MARCO
A Piazza San Marco é o coração de Veneza. Além da basílica, a praça abriga a torre do relógio, com um relógio astronômico do século XV que indica as horas, as fases da lua e os signos do zodíaco. Também se veem leões alados, símbolo da antiga República e do evangelista São Marcos, padroeiro da cidade.
Ao redor ficam cafés históricos como o Café Florian e o Gran Caffè Quadri, conhecidos pelo ambiente sofisticado e pelos preços elevadíssimos, especialmente nas mesas ao ar livre com música ao vivo. Não se engane pelos preços do cardápio e não se arrisque a sentar sem antes perguntar o valor do coperto.
Ao lado da basílica está o Palazzo Ducale, antiga sede do governo da República, famoso pela arquitetura gótica, pelos salões decorados e pela ligação com a Ponte dos Suspiros.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se quiser café na praça, pergunte o coperto antes de sentar.
✅ Use a praça como ponto de orientação: basílica, campanile, Palazzo Ducale e Ponte dos Suspiros ficam todos ali perto.
PONTE DOS SUSPIROS
Eu e a Malu paramos na frente da Ponte dos Suspiros. De um lado, o Palazzo Ducale. Do outro, a antiga prisão. A lenda popular diz que os condenados passavam pela ponte dando o último suspiro antes da sentença.
A verdade é que essa história ganhou força com escritores de romances. Hoje a ponte tem outra tradição: dizem que casais que passam de gôndola por baixo dela e se beijam ao pôr do sol terão um amor eterno.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Dá para ver a ponte de fora, sem entrar no circuito do palácio.
✅ Se for de gôndola, combine o trecho com o gondoleiro. Nem todo passeio curto passa por ali com calma.
PASSEIO DE GÔNDOLA
Enquanto esperávamos o passeio, tomei um Bellini com vista (a Malu só de companhia). Compramos o ticket no GetYourGuide. O fluxo é simples: você valida a reserva no guichê, recebe um papelzinho com horário e gôndola privada e espera na plaquinha indicada cerca de 15 minutos antes. Nossa reserva era para 16h30. Éramos cinco pessoas: eu, minha mãe, a Malu, o Alexandre e o Ted.
A descrição dizia que, em alguns casos, o passeio de 30 minutos poderia durar um pouco menos. Imaginamos no máximo cinco minutos a menos. O nosso durou 15 minutos. Quinze minutos depois de sairmos, já estávamos desembarcando.
A experiência deixou a desejar. O gondoleiro fez o passeio inteiro em silêncio, sem simpatia nem explicação. Não houve suporte para ajudar minha mãe a embarcar. Quando eu me levantei para dar a mão a ela, ele gritou comigo. Eu entendo que não é seguro ficar em pé na gôndola, mas também não dá para deixar uma pessoa idosa embarcar sem qualquer assistência.
Ao reservar pelo GetYourGuide, você consegue ver o fornecedor no final da página, abaixo das avaliações, junto com o ID da empresa. No nosso caso foi a Bun Touro, nota 3,7 de 5. Não recomendamos.
Uma alternativa citada no vídeo, já testada por pessoas que eu conheço, é a City Tours, também no GetYourGuide, com nota 4,2 na época. E um ponto positivo do GetYourGuide: assim que explicamos o que aconteceu, eles foram solícitos e reembolsaram parte do valor. No fim, pagamos apenas pelo tempo que realmente usamos.
No final, eu estava sem voz, indignada e sem clima. Parecia até que a gente estava indo para um velório, mas não: eu estava andando de gôndola em Veneza. Infelizmente não deixei o link dessa experiência no vídeo.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ No GetYourGuide, confira o fornecedor e a nota antes de reservar.
✅ Chegue 15 minutos antes no ponto de check-in.
✅ Se viajar com idosos, confirme se há ajuda para embarque.
✅ Se algo der errado, registre e fale com o GetYourGuide. No nosso caso, houve reembolso parcial.
FONDACO DEI TEDESCHI
Bem ao lado da Ponte Rialto fica o Fondaco dei Tedeschi, um edifício com quase 800 anos de história. Originalmente servia como entreposto comercial e hospedagem para mercadores alemães.
Quando estivemos em Veneza em abril de 2025, o prédio funcionava como shopping de luxo e o grande destaque era o rooftop. O acesso era gratuito, bastava reservar, e de lá se via o Grande Canal, a Ponte Rialto, a cúpula da basílica e o campanile.
Poucos dias depois da nossa visita, o shopping encerrou as atividades e o terraço também fechou. A boa notícia é que existe expectativa de reabertura: a Prefeitura defende manter um acesso público gratuito, previsto numa convenção assinada na restauração do prédio. Enquanto isso, os proprietários buscam um novo operador.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se for a Veneza, pesquise antes se o terraço do Fondaco dei Tedeschi já reabriu.
✅ Quando estava aberto, a vista gratuita valia a reserva.
VINOVINO 🍷
Escolhemos almoçar no Vinovino porque ele aparece várias vezes no livro Mil dias em Veneza, da Marlena de Blasi. Eu até perguntei ao garçom se havia alguma referência ao livro no restaurante. Para minha surpresa, ele disse que nem conhecia a obra. Cheguei a duvidar se era o mesmo lugar, mas me parece que sim.
É um lugar tradicional, com carta de vinhos italianos, e recebe muitos frequentadores do teatro La Fenice pela proximidade. Para quem leu a história (e no meu caso ainda é um dos livros favoritos), foi curioso estar no ambiente em que Marlena e Fernando viveram os primeiros momentos de uma longa vida juntos, e onde Marlena começa a enterrar seu desgosto por Veneza.
Pedimos bruschetta, pinzimonio com azeites, nhoque com ragu e tiramisù. A Malu aprovou o nhoque (melhor que o do Luciano, segundo ela) e manteve o veredito: o tiramisù da mamãe ainda ganha.
Antes de sentar, vale olhar a lógica de preços do espaço: se quiser sentar no lounge/bar, o expresso saía €2; na mesa, €5. Cappuccino na mesma lógica, €4,70. Chocolate na taça, €5,50. Havia também opção de cocktail e menu com antipasto, primeiro prato, segundo prato e sobremesa por €12. O restaurante, naquele horário, seguia a lógica de abertura ao meio-dia até as 15h ou das 19h às 22h.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se você leu Mil dias em Veneza, o Vinovino ganha uma camada emocional a mais.
✅ Confirme horário de restaurante versus bar. Em Veneza isso muda a conta e o serviço.
✅ Os azeites e as entradas simples podem ser o ponto alto da mesa.
OSTERIA FANAL DEL CODEGA
Eu queria muito conhecer a Osteria Fanel del Códega, bem avaliada no TripAdvisor e conhecida pelos pratos de frutos do mar. Nessa ocasião eu não podia comer frutos do mar, então escolhemos outras opções do cardápio. Foi uma surpresa positiva: tudo estava delicioso e bem preparado. Ou seja, a casa se sustenta além da especialidade.
O ambiente é acolhedor, o atendimento atencioso e a localização é clássica de Veneza, às margens de um dos canais. O Alexandre pediu uma massa com creme de parmesão e carne desfiada. O meu prato também estava uma delícia, mesmo sem frutos do mar.
Fica o desafio: se você for à Osteria Fanal del Códega, prove os pratos de frutos do mar por mim e conta depois nos comentários.
DICAS IMPERDÍVEIS:
✅ Se estiver bem de estômago, vá de frutos do mar. É a fama da casa.
✅ Se não puder, ainda assim vale conhecer. O restante do cardápio nos surpreendeu.
✅ Reserve energia para chegar. Em Veneza a gente se perde (mesmo com GPS) e de repente sai numa ruela minúscula ou numa abertura agitada.
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DICAS FINAIS DO BLOG ALECRIM
✔️ Em Veneza todo mundo anda com GPS. Mesmo assim, vale se perder um pouco nas ruelas.
✔️ Confira fornecedor e avaliações antes de reservar gôndola.
✔️ San Marco cabe em pouco tempo se a fila estiver boa, mas os tickets têm camadas. Leia com calma.
✔️ Nem toda experiência famosa é boa. Eu conto as que valem e as que não valem.
Já foi a Veneza? Conta nos comentários o que amou e o que evitaria. Se ainda não acompanha o canal, vale se inscrever.